HISTÓRICO

Apresentação

APRESENTAÇÃO

O termo "conservatório" originalmente foi usado na Itália dos séculos XIV e XV para as creches, orfanatos e asilos mantidos pela igreja para abrigar órfãos e crianças abandonadas. Era costume educar as crianças para uma profissão com o objetivo de "conservarli", ou seja mantê-los longe dos perigos da vida.

A palavra conservatório, com a acepção mais específica de escola de música, é mais comum a partir das práticas na cidade de Nápoles, na Itália do Século XIV. Entre as escolas temos o Conservatório Della Madona de Loreta (1537, dirigido pelo padre espanhol Juan de Tapia), "I poveri di Gesù Cristo" (1599, construído pelo frade Marcello Fossataro), "La pietà dei turchini" e o "Sant'Onofrio a porta Capuana", além de um conservatório exclusivamente feminino chamado "dell ' annunziata ". As instituições conseguiam excelentes resultados na educação das crianças abandonadas recolhidas, integrando-as à comunidade através da arte e formando excelentes músicos, instrumentistas, compositores, regentes e cantores.

No Brasil, o ensino da música nos primeiros séculos era ministrado pela Igreja Católica e por instituições leigas como a Irmandade de Santa Cecília. O primeiro conservatório do Brasil é o Conservatório Imperial de Música, no Rio de Janeiro, instituído por um decreto de D. Pedro II de 27 de Novembro de 1841, regulamentado em 21 de Janeiro de 1847. As aulas só começaram em 13 de Agosto de 1848, sob a direção de Francisco Manuel da Silva. Em 12 de Janeiro de 1890, após a proclamação da República, passou a denominar-se Instituto Nacional de Música. Entre seus diretores, destacam-se os compositores Leopoldo Miguez, Alberto Nepomuceno, Henrique Oswald, Abdón Milanez, Luciano Gallet, o pianista Guilherme Fontainha e a maestrina Joanidia Sodré.

Ainda no século XIX seriam fundados o Conservatório Carlos Gomes em Belém do Pará e o Instituto de Música da Bahia. O Conservatório Dramático e Musical de São Paulo começa suas atividades em 1906. O Conservatório Pernambucano de Música, fundado em 1930, é a inspiração direta para a criação das escolas de música de João Pessoa e de Natal.

Início

INÍCIO

O Recife dos anos 1920 consolidava-se como uma liderança entre as capitais do Nordeste do Brasil. A riqueza cultural estabelecida principalmente no Séc. XIX, nas letras, teatro, arquitetura e música, ganhava um novo patamar com uma consistente temporada de concertos desenvolvida pela Sociedade de Cultura Musical, colocando Pernambuco no mapa de concertos do mundo. Entre os músicos trazidos estavam os pianistas Manoel Augusto dos Santos, Ernani Braga e o violinista Vicente Fittipaldi. Para eles, o Recife ainda precisava criar uma orquestra sinfônica e um conservatório.

Manoel Augusto, Ernani Braga e Vicente Fittipaldi juntaram-se a outros ilustres músicos e personalidades da sociedade recifense numa campanha em prol da criação do Conservatório Pernambucano de Música. O deputado Arruda Falcão quis ser o intérprete deste grupo e apresentou o projeto de criação do Conservatório Pernambucano de Música à Assembleia Legislativa, onde foi aprovado. A fundação deu-se em 17 de julho de 1930 e seu primeiro diretor escolhido foi o maestro Ernani Braga, que administraria a instituição junto a Congregação dos Catedráticos, todos escolhidos em caráter definitivo.

No primeiro Estatuto do Conservatório Pernambucano de Música, aprovado pela Congregação dos Catedráticos em 1º de agosto de 1930, constavam os seguintes objetivos da entidade:

Difundir o ensino teórico e prático da música, acessível a todas as classes sociais;
Criar uma biblioteca e um museu da música;
Cordas Friccionadas: Contrabaixo Acústico, Violino, Viola e Violoncelo.
Formar o orfeão e a orquestra do Conservatório.

Iniciava o Conservatório as suas atividades oferecendo cursos de teoria e solfejo, canto coral, harmonia, piano, violoncelo e canto harmônico, sendo as disciplinas teóricas, de canto coral e harmonia, ministradas coletivamente e as disciplinas de instrumento e canto lecionadas individualmente. Recife via no fardamento verde dos alunos do Conservatório o acesso a uma arte que, até então, era privilégio da elite. As audições dos alunos aconteciam no sempre lotado Teatro de Santa Isabel.

O Estatuto tratava das inscrições e formas de admissão, dos exames, dos concursos e diplomas, dos deveres dos alunos, do corpo docente, das competências da Congregação e do Diretor. O Conservatório funcionava em prédio alugado, situado na esquina da rua do Riachuelo com a rua da União, ponto central da cidade e de fácil acesso aos alunos e professores.

Foram nove anos sob a direção de Ernani Braga, e o Conservatório rapidamente afirmou-se como um dos mais importantes agentes da Cultura em Pernambuco. As concorridas audições no Teatro de Santa Isabel eram o ponto de encontro dos amantes da boa Música, e os talentos que surgiam ocuparam um espaço importante no cenário Pernambucano nas décadas seguintes.

Autarquia

NOVOS RUMOS PARA O CONSERVATÓRIO

Um novo estatuto, aprovado em janeiro de 1937, determinava que o ensino da música ministrado no Conservatório fosse orientado pelo Instituto de Música do Rio de Janeiro e criava os cursos de Ginástica Rítmica e Danças Clássicas a serem oferecidos em anexo ao Conservatório. Determinava também que, após três anos de teoria e solfejo, o aluno freqüentaria as aulas de Harmonia, não podendo diplomar-se nos cursos de Instrumento e Canto sem ter cursado, no mínimo, o primeiro ano dessa disciplina.

Através da Portaria nº 202, de 09 de março de 1941, do Secretário do Interior, foi aprovado o Regulamento que mantinha os objetivos iniciais do Conservatório, inclusive aqueles que visavam criar uma biblioteca e um museu de música e formar o orfeão e a orquestra, podendo-se inferir que, após quase 11 (onze) anos de funcionamento, estes objetivos não haviam sido alcançados. Quando Pernambuco sofreu intervenção federal, o interventor Agamenon Magalhães nomeou nova Diretoria e, em 22 de março de 1941, transformou a entidade em Autarquia Administrativa - Conservatório Pernambucano de Música, através do Decreto nº 603, vinculando-a à Secretaria do Interior.

Os cursos ministrados permaneciam os mesmos, acrescidos, apenas, do curso de História da Música. O regulamento inovava em relação aos cursos de extensão e aperfeiçoamento a serem oferecidos fora do horário dos cursos regulares.

O regulamento ainda normatizava sobre: 1) o regime disciplinar discente; 2) as competências da Congregação e do Diretor Presidente; 3) o quadro de pessoal docente e o concurso de provimento dos cargos; 4) a escrituração escolar; 5) a conservação do acervo da Biblioteca; 6) as penalidades para os funcionários; 7) a origem dos recursos e o regime financeiro; 8) e a organização do patrimônio. Ainda no ano de 1941 o Governo do Estado toma a seu cuidado a Orquestra Sinfônica do Recife, até então independente, reorganizando-a com a colaboração do Conservatório, da Força Policial, da Rádio Clube de Pernambuco e do Sindicato dos Músicos.

O Conservatório acolheu muitos músicos da cidade e do Estado buscando formação especializada. Muitos seriam professores da casa e também atuariam na vida musical do Recife. A cidade crescia e muitas eram as oportunidades de atuação para os jovens músicos: orquestras de clubes e das emissoras de rádio, boates, gravações, bandas e, especialmente, o carnaval.

Anos de Mudança

ANOS DE MUDANÇA

O final dos anos 1960 traz grandes mudanças. O Conservatório deixa a Rua do Riachuelo para se estabelecer num casarão na Avenida João de Barros. A direção é confiada ao violinista Cussy de Almeida. Em 14 de fevereiro de 1968, pelo Decreto nº 1.490 o então Governador do Estado Dr. Nilo de Souza Coelho aprovava outro Regulamento que estabelecia como finalidade do Conservatório a incrementação do bom gosto musical e a difusão do ensino teórico e prático da música, nos níveis elementar e médio, para todas as classes sociais. O regulamento previa cursos de Iniciação Musical, Ginástica Rítmica, Teoria e Solfejo, Canto, Canto Coral, Harmonia e História da Música, Piano, Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo, Flauta, Oboé, Clarinete, Fagote, Trompa, Trompete, Trombone e Percussão. Previa a organização de: um quarteto de cordas - para ampliar o gosto pelo estudo da música de Câmera; um coral estadual com repertório religioso, erudito, folclórico e popular; uma banda de música infanto-juvenil; festivais e concursos regionais e nacionais de música erudita e popular. Regulamentava sobre a inscrição e admissão aos cursos, a sistemática de ensino, o custeio, os exames e diplomas, o corpo discente, docente e a administração do Conservatório, que se desdobrava em Diretor Presidente e Diretor Superintendente. O Regulamento criava os seguintes órgãos: Secretaria, Assessoria Técnica e Assessoria Jurídica. Pelo Decreto nº 2.297, de 04 de fevereiro de 1971, do mesmo Governador Dr. Nilo Coelho, extinguiu-se o cargo de Diretor Presidente.

A virada dos anos 1960 para a década de 1970 traz a criação de um dos melhores grupos da história da Música Brasileira, a Orquestra Armorial de Câmera de Pernambuco, que renova a música erudita brasileira com composições originais baseadas em motivos e temas nordestinos. Os concertos da Armorial, bem como a criação das Quartas Musicais, na gestão do Maestro Henrique Gregori, supriram a ausência da Sociedade de Cultura Musical, que trouxe a boa música e bons intérpretes do mundo para o Recife entre os anos 1920 e 1970.

Nos anos 1980, o Conservatório teve na direção o Maestro Henrique Gregori, o Maestro Clóvis Pereira e a pianista Elyanna Caldas. Foram os anos de criação e projeção da Orquestra de Cordas Dedilhadas, de vários grupos instrumentais de alunos e das primeiras experiências para a implementação do Método Suzuki de ensino de cordas.

Reestruturação

REESTRUTURAÇÃO ORGANIZACIONAL

Para atender as novas demandas internas e externas do ensino musical, o Conservatório entrou em nova fase de reestruturação organizacional, em agosto de 1989, buscando adequar-se à nova realidade e aos desafios que, no final de século por certo, haveriam de surgir, passando por uma ampla reforma administrativa e pedagógica concluída em 1990, cujo envolvimento dos professores e dos profissionais de música na condução dos trabalhos constituiu o elemento de maior força criativa na concepção de novo modelo organizacional. Os produtos normativos obtidos desta reforma administrativa foram:

I - O ESTATUTO que abordava as finalidades da instituição; a questão democrática viabilizada pelo Conselho Deliberativo com representantes de todos os segmentos da comunidade conservatoriana; os princípios organizacionais; as diretrizes pedagógicas dos cursos regulares, de extensão, de aperfeiçoamento e livres; e o regime financeiro.

II - O REGIMENTO GERAL - que tratava da estrutura organizacional do Conservatório; da organização e funcionamento dos cursos; dos direitos e deveres dos corpos discente, docente, técnico, administrativo e dos profissionais de música; e do regime disciplinar;

III - O MANUAL DE ORGANIZAÇÃO com as atribuições de todas as unidades da estrutura do Conservatório; Foi proposta a inclusão dos cursos regulares de música para formação do profissional-artista do nível médio do CPM, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, apresentada ao Deputado Federal Carlos Vasconcellos para defende-la na Câmara Federal. Em 1997, na gestão da pianista Elyanna Caldas, empreendeu-se uma reforma pedagógica nos cursos do Conservatório, coordenada pela Professora e Pianista Jussiara Albuquerque Corrêa de Oliveira, então Diretora do Departamento de Teoria Musical, para ajustar o ensino profissionalizante de música promovido pelo CPM, à Lei 9.394/96 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Nos anos 1980, 1990 e 2000 foram criados diversos grupos no Conservatório que se tornaram referência no Estado de Pernambuco. Conjuntos orquestrais como a Orquestra de Câmera de Pernambuco, a Orquestra Suzuki do Alto do Céu e a Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música, grupos como o SaGrama, Allegretto, Trio Sonata, Coro Ernani Braga, além do Coro de Câmera do Conservatório Pernambucano de Música.

Projeto

PROJETANDO O CONSERVATÓRIO NO CENÁRIO NACIONAL

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB desvinculou a educação regular do ensino profissionalizante e o MEC criou o Programa de Expansão da Educação Profissional - PROEP, com vistas a implementar as reformas da educação profissional no Brasil. A Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, e a atual Presidência do CPM, conseguiram a aprovação do MEC para um projeto que faz do Conservatório Pernambucano de Música - CPM, um dos Centros de Educação Profissional do Brasil na área de música, oferecendo cursos em todos os níveis: da iniciação ao curso técnico de música. O Conservatório Pernambucano de Música se consolida como um polo de estímulo à arte musical, de avanço tecnológico e de mudanças nas relações do trabalho, projetando-se como referência nacional na educação musical.

A partir do decreto 30.362, de 17 de abril de 2007, que aprova o regulamento da Secretaria de Educação o Conservatório Pernambucano de Música definiu a seguinte missão:

• Planejar, gerir e executar políticas públicas e respectivas atividades de ensino, pesquisa, promoção e difusão da Música do Estado de Pernambuco; Objetivando a valorização da cultura, excelência na formação de profissionais e sendo agente para o desenvolvimento social através da arte musical.

Vale assinalar o nome de todos aqueles que exerceram a direção do Conservatório Pernambucano de Música, empreendendo uma incessante luta em prol da formação musical dos alunos:

ERNANI BRAGA - fundador (1930 - 1939)
MANOEL AUGUSTO DOS SANTOS (1939 - 1967)
CUSSY DE ALMEIDA (1967 - 1979)
HENRIQUE GREGORI (1979 - 1983)
CLÓVIS PEREIRA DOS SANTOS (1983 - 1987)
ELYANNA SILVEIRA VAREJÃO (1987 - 1990)
CUSSY DE ALMEIDA (1991 - 1994)
ELYANNA SILVEIRA VAREJÃO (1995-1998)
JUSSIARA ALBUQUERQUE C. DE OLIVEIRA (1999-2006)
SIDOR HULAK (2007-2014)
ROSEANE HAZIN (desde 2015)

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